DISFORIA DO GÉNERO espaço não oficial

20
Jul 08

Deus fez-me Homem, eu fiz-me Mulher


Penso que posso dizer que nunca soube o que era ter uma vida fácil. A minha vida é um pouco diferente do resto das pessoas. Sou transsexual, o que por si só já me faz diferente. Infelizmente vivo numa sociedade que ainda me olha de lado e que caçoa da minha escolha.
Desde bem cedo, sempre tive mais tendências para me comportar como as meninas da minha idade, ao invés de me misturar com os rapazes. Não achava a mínima piada ter de andar atrás de uma bola com outros miúdos suados e mal cheirosos. Sempre preferi as bonecas aos carrinhos e jogos de berlinde. Na escola era gozada pelo resto da turma e em casa era maltratada e espancada pelo meu pai. Bêbado inveterado, nunca aceitou a minha escolha, batia-me com tudo o que lhe aparecesse à frente. Já a minha mãe sempre me apoiou, mesmo contra a vontade do marido. Foi algumas vezes parar ao hospital só pelo simples facto de me defender. Admiti tudo, que ele me batesse, que me maltratasse, que me chamasse nomes, mas não podia consentir que ele espancasse a minha mãe. Até que um dia resolvi fugir de casa, para bem longe, na esperança de um dia poder trazer comigo a minha santa mãe. Mas nem sempre as coisas acontecem como nós desejamos. Meses depois ela faleceu, vítima de maus-tratos por parte do meu pai.
Aí foi a gota de água, resolvi mesmo sair definitivamente de casa. Não podia continuar a viver debaixo do mesmo tecto com o homem que matou a minha mãe.
Sozinha em Lisboa, tive de me arranjar para poder sobreviver. Devido ao meu aspecto feminino e à discriminação que me fizeram não consegui arranjar emprego em lado nenhum. A única solução foi, vender o meu corpo nas ruas, como se tratasse de um objecto qualquer. Os primeiros tempos foram HORRIVÉIS, mas passados uns meses, já me tinha habituado. Fazia cinco, seis homens por noite. Queria ganhar muito dinheiro para poder financiar a minha operação para mudança de sexo.
Hoje sou tratada por Patrícia Fernandes, o nome que escolhi. Na minha cabeça, o João Carlos morreu na sala de cirurgia para dar lugar à pessoa que sou hoje. Deixei a prostituição, quando encontrei um rapaz da minha idade que se apaixonou por mim e eu por ele. Somos muito felizes. Mesmo com as muitas discriminações que sofro na pele, antes as prefiro, do que viver frustrada para o resto da vida por não ter realizado o meu sonho. Deus fez-me homem, eu fiz-me mulher.

Patrícia Fernandes – Lisboa(Samuel)

 


13
Jul 08

O estudo dos posts anteriores são, integralmente, retirados do powerpoint da Gender Care.

 Pessoalmente não creio em vítimas, apenas em experiências - dolorosas mas extremamente enriquecedoras.

 Graças "aos céus", as coisas estão a mudar, apesar de tudo, para melhor.

Temas tão delicados e controversos como este já estão a ser, a algum tempo, estudados, com seriedade, responsabilidade e profissionalismo.

Que Deus abençoe todos estes seres que trabalham para melhorar a qualidade de vida de todos quantos padecem desta e de tantas outras questões.

Já não há razão de peso que justifique o sacrifício insano das almas que se propuseram a viver tão difícil experiência.

Ser homossexual é muito doloroso, ainda assim, o seu peso não chega aos calcanhares da Transsexualidade. GARANTO.


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ARTIGO 55.º (Transsexualidade e manipulação genética) 1. É proibida a cirurgia para reatribuição do sexo em pessoas morfologicamente normais, salvo nos casos clínicos adequadamente diagnosticados como transexualismo ou disforia do género. (Redacção introduzida pelo Plenário dos Conselhos Regionais de 95.06.03) 2. É proibida a manipulação genética no Ser Humano.
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