DISFORIA DO GÉNERO espaço não oficial

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Ago 08

Acompanhamento médico

Para terem acesso à cirurgia, os transexuais serão acompanhados durante dois anos pela equipe médica responsável pelo diagnóstico de transexualidade. Os critérios para a seleção dos indivíduos foram estipulados pelo Conselho Federal de Medicina, por meio da resolução 1652/2002: idade mínima de 21 anos, acompanhamento psicoterapêutico ou psiquiátrico mínimo por dois anos e não existência de transtornos de personalidade. Após a cirurgia, os pacientes serão assistidos por um ano, no mínimo. “O acompanhamento é fundamental, principalmente o apoio psicológico para ajustá-lo ao seu sexo e à sociedade”, afirma Pina.
A primeira operação de transgenitalização feita legalmente no Brasil foi em 1998, no Hospital das Clínicas da Universidade de Campinas, em São Paulo. O procedimento foi autorizado um ano antes pelo Conselho Federal de Medicina como cirurgia experimental. Existem diversas técnicas desenvolvidas e aplicadas com sucesso em vários países. As neo-vaginas e neo-pênis, como são chamados os novos órgãos sexuais, apresentam funcionalidade e bons resultados estéticos, assegura o ginecologista, embora admita uma maior facilidade na criação do primeiro.
Em geral, a “cirurgia de transgenitalização” é associada apenas à operação de mudança de sexo, embora todo o processo de readequação sexual implique em várias intervenções médicas e cirúrgicas, que ajudam o transexual a explicitar fisicamente a identidade de gênero que já vive internamente. Segundo Pina, a disponibilização regular dos implantes de silicone, de fundamental importância para o processo de reajustamento corporal do transexual, é um desafio que os hospitais deverão enfrentar. “Isto é uma dificuldade no setor público, porque o implante de silicone geralmente é considerado uma cirurgia estética”. No caso dos transexuais, será tratado como procedimento cirúrgico reparador.
Refugiados do próprio corpo
“Sou mulher, do sexo feminino, do gênero feminino, com práticas vivenciais do sexo e gênero feminino, que eventualmente nasci com um pênis entre as pernas. Se a concepção agregada às palavras sexo, gênero, sexualidade e orientação sexual não correspondem a este meu ponto de vista, isso é um problema dos teóricos que as estabeleceram, e não um problema meu”, conta Barbara Graner, 33 anos, transexual, tentando explicar o inexplicável.
A transexualidade, dentre as diversas facetas da sexualidade humana, certamente é a mais intrigante, incompreendida e talvez a mais sofrida. Transexuais colecionam histórias de preconceito, conflitos internos e familiares. Com a chegada da adolescência, Barbara viu seu corpo mudar na direção contrária ao sexo que já vivenciava psicologicamente. Desesperada com a natureza teimosa, que insistia em aprisioná-la num corpo masculino, recorreu ao hospital da Universidade de Campinas. Não encontrando a ajuda que necessitava, decidiu extrair os testículos por conta própria. “Planejei quase tudo, injetei anestesia e cortei com a tesoura”, conta. Apesar de todos os riscos que correu, não se arrepende. “Foi uma das ações mais corajosas e acertadas que tomei na vida”.
Para Millena Passos, 29 anos, presidente da Associação de Travestis e Transexuais de Salvador (Atras), a vivência transexual também trouxe suas dores. Saiu de casa aos 15 anos e enfrentou quase dois anos de prostituição. No colégio, só tinha paz nas primeiras semanas de aula. Logo que a lista dos matriculados chegava, a hora da chamada transformava-se num suplício. Quando descobriam que aquela morena alta era, civilmente, um homem, começavam as brincadeiras, xingamentos e propostas sexuais. “Minha sala virava uma platéia de homens falando: é viado! É viado!”. Quando os colegas se aproximavam, era sempre com intuito sexual. Millena acabou abandonando os estudos no segundo grau.
 
publicado por UNO às 14:07

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ARTIGO 55.º (Transsexualidade e manipulação genética) 1. É proibida a cirurgia para reatribuição do sexo em pessoas morfologicamente normais, salvo nos casos clínicos adequadamente diagnosticados como transexualismo ou disforia do género. (Redacção introduzida pelo Plenário dos Conselhos Regionais de 95.06.03) 2. É proibida a manipulação genética no Ser Humano.
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