DISFORIA DO GÉNERO espaço não oficial

19
Out 09

Vários são os pormenores que, se fossem cuidadosa, honesta e atempadamente transmitidos, nos poupariam tempo e alheamento desnecessários.

Hoje, na consulta, o psiquiátra questionou-me como está o meu processo, se já tinha sido operado. Fiquei incrédulo. Voltou a questionar se já tinho sido visto pelo cirurgião, retruquei:

- "Como é que posso ter sido visto pelo cirurgião? O sr. já me encaminhou para ele? Já me autorizou a ir procurá-lo? Disse-me quem era? Onde encontrá-lo?

Sorriu irónicamente:

- "Voçê tem que ser sempre diferente..." - não sei de onde surgiu e a que propósito o "diferente", enquanto redigia uma carta de recomendação para o Dr Décio Ferreira.

- "Por acaso até já fui visto por ele mas não que o sr me tenha esclarecido a respeito. Fi-lo através da indicação de uma amiga. Eu não tenho a obrigação de saber nem o direito de passar por cima de si."

...

- "Pronto, da nossa parte é tudo, agora só cá volta depois de ser operado." - estive para lhe perguntar: "E para quando é isso?..."

Entrei em contacto com o Dr. Décio e neste momento estou em lista de espera, uma coisa que me preocupa imenso dadas as repercursões diárias e de médio e longo prazo que isso acarreta na minha vida. Dada a minha profissão tenho que encarar dezenas de pessoas por dia, várias caras novas diáriamente e tudo o que isso implica.

Assim, meus amigos, isto mais parece o salve-se quem puder, o que acho errado uma vez que proporciona o desenvolvimento de uma subtil anarquia que não ajuda nada à transparência dos processos e à justiça dos mesmos.

Penso que devem ser os médicos responsáveis pelos nossos casos a elucidarem-nos e encaminharem-nos pelas veredas que devemos seguir e não andarmos, quais maluquinhos, "ao tio - ao tio", buscando algo que, muitas vezes, nem sabemos ao certo o quê.

Para não cair no excesso, uma vez que os médicos têm caído por defeito, assim que se proporcionar, questionem-nos de quando podem ser vistos pelo cirurgião, quem é e onde podem encontrá-lo. Não esperem a conclusão da vossa avaliação psiquiátrica.

Em que bases vou assentar agora a minha confiança?

publicado por UNO às 20:13

Hoje fui a mais uma consulta. Estava prevista para 21 de Setembro mas, infelizmente, um dos médicos não podia comparecer, ficando adiada para hoje.

Estávamos vários T, uns nervosos, outros irritados, devido aos atrasos constantes, no entanto, gostaria de saliantar algo que me encantou e achei belíssimo. Um par de namorados, um T e sua companheira, que compartilhavam carinho, de forma natural, sem qualquer indício de ofensa ao pudor alheio. Lindos, jovens, amorosos.

Foi muito caro para mim observar a moça, notava-se o apoio incondicional que lhe devotava, fazia-se sentir. Não tenho palavras para definir como me encantou. Quem dera que todos os T's tivessem alguém assim ao seu lado. A luta, sem dúvida, seria menos agreste, uma vez que ela não é somente externa, é, essencialmente, interna.

O meu bem querer para os pombinhos.

publicado por UNO às 19:43

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ARTIGO 55.º (Transsexualidade e manipulação genética) 1. É proibida a cirurgia para reatribuição do sexo em pessoas morfologicamente normais, salvo nos casos clínicos adequadamente diagnosticados como transexualismo ou disforia do género. (Redacção introduzida pelo Plenário dos Conselhos Regionais de 95.06.03) 2. É proibida a manipulação genética no Ser Humano.
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