DISFORIA DO GÉNERO espaço não oficial

15
Fev 09

Vê-se, recorrentemente, no nosso dia a dia e quando as circunstâncias assim o proporcionam, gente com atitude de supra sumo no campo do conhecimento da área sexual.

A ideia que transmitem é a de que, o facto de terem genitais e uma vida sexual mais ou menos activa lhes confere, automaticamente, a sabedoria que toda a ciência sexual encerra.

Sim, alguma coisa saberemos mas não passa do extremamente básico, a rama da rama.

Um pouco de humildade não humilha ninguém e permite-nos uma abertura mental mais compatível para novos estágios de aprendizado.

Apartir duma certa altura da minha caminhada comecei a compreender que tudo na vida se explica por analogia.

A Energia Sexual é das mais potentes do Cosmos, alberga em si o princípio criador, a fecundação, seja em que área for. Por exemplo, as Artes têm na sua base de sustentação a Energia Sexual.

A História mostra-nos o quanto imaturos estamos nas coisas afectivo / sexuais. Os desvarios vários, os problemas conjugais de toda a ordem, a quantidade de situações complicadas em que nos enclausurámos, são a prova inequívoca de que a nossa compreensão relativamente a esta área é extremamente diminuta.

Vejamos o seguinte: todos nós possuímos um coração desde a gestação, isso não faz de ninguém cardiologista; todos nós possuimos pulmões desde a vida intra uterina, isso não faz de ninguém expert em pneumologia; todos possuímos cérebro, que leigo se pode atestar atributos de neurologista?; todos possuimos mente, isso significa que desvendámos todos os segredos da psicologia e psiquiatria?

Pois, e porque a sexualidade, o sexo e todas as suas vertentes haveriam de ser diferentes?

publicado por UNO às 11:23

Não. Isso tem explicação.

Apesar de doloroso, quanto mais e maior é a demonstração de ridículo dos demais para com a minha vivência, mais fortalecido me sinto, moralmente.

Engraçado, o sofrimento existe, é real, mas sinto-me Libertar e essas manifestações vão-se tornando pequenas, pequeninas, pequeníssimas, até não me fazerem nem mesmo cócegas.

Sinto-me ser afastado deste´"círculo". É como se o corpo estivesse aqui mas o meu sentir fosse sendo levado para um plano de vibração diferente no qual as farpas venenosas, hipócritas ou apaixonadas, não me conseguem atingir.

Vou sendo desligado... que bom... sinto-me bem. Sinto-me forte de novo.

publicado por UNO às 10:11

Já é ridículo pensar quanto mais a audácia de ter certezas, de que há aqui alguém a querer ser algo que efectivamente já não seja.

Neste processo não há mulheres a quererem ser homens, ninguém quer ser algo que não sinta. Ninguém tem coragem de se expor a tamanha provação, ninguém ousa afrontar padrões tão sanguináriamente estabelecidos, que o diga a História, caso não houvesse a convicção profunda da sua verdadeira natureza; caso isso não fosse algo que faz parte das próprias entranhas do Ser.

Tente-se perceber que raio de coisa é esta que leva as pessoas a enfrentar pesos pesados como o Preconceito esmagador, as humilhações, os ainda acanhados meios técnicos e conhecimentos médicos a respeito do tema, a Jurisdição, etc., e que leva a tantos suicídios.

O que leva ao julgamento, à intolerância, é exactamente o que move um Ser Humano à redesignação genital. O peso e a motivação é igual para os dois lados.

Somos homens em tudo o que realmente define um ser humano.

Um belo exemplo é o daquele moço, agora actor, Paulo Azevedo, que escreveu um livro privado dos seus membros inferiores e superiores. Ele não é "normal" (segundo esta linhagem de pensamento), ele não é igual aos demais. É menos humano por isso?

A diferença faz parte da Verdade que todos querem açambarcar como sua. A Vida na Terra prima pela Diferença - em todos os sectores. A Vida na Terra existe para experienciar. Somos todos estudantes cósmicos buscando saber mais e mais sobre si mesmos e isso não se consegue com belas teorias. Somos colombos em busca da própria essência. Exploradores da própria alma, visando um conhecimento mais profundo e incorruptível de si mesmos. Não somos peças standardizadas, isso é indispensável e só serve a quem deseja dominar a Humanidade. Viver a experiência faculta-nos Sabedoria verdadeira.

Não somos melhores, não somos piores, somos diferentes e dentro da diferença, somos iguais.

Há coisas que não se explicam, é preciso vivê-las. 

publicado por UNO às 09:18

Esta semana tem-se revelado particularmente difícil para mim.

Como já referênciei, ao longo dos anos e particularmente nos últimos meses, tenho escolhido a dedo as pessoas a quem divulguei a minha problemática particular (e foram várias).

Enquanto foi assim a coisa correu bem, nenhuma delas me desiludiu. Apartir do momento em que revelei o processo aos meus colegas de trabalho, foi como uma bomba, uma granada que se fragmenta para todos os lados. De repente, meio mundo ficou a saber, da pior maneira. Os meus colegas têm transformado esta questão num circo, numa palhaçada com que se divertem.

Não consigo ter raiva deles, só pena.

O que digo não é da boca para fora, tão pouco uma forma de falar, é literal - sinto pena deles -, por serem tão "pequenos", tão fracos, tão ignorantes.

Os mesmos que me ridicularizam, numa situação análoga, será que conseguiriam suportar? Dificilmente. Não demonstram estrutura moral para isso. Eles não fazem a mais ténue ideia do que significa viver uma experiência destas. São demasiado fanfarrões, egos inchados que me fazem lembrar aquela máxima: "os tambores fazem grande estrondo mas não são cheios senão de ar".

Têm tornado a minha vivência mais dolorosa do que já é por si só. No gozo tratam-me pelo nome masculino, sem gozo mas propositadamente, tratam-me no feminino. Existe um que faz nitidamente de propósito. Eu com barba e ele a tratar-me no feminino, bem alto, bem intencional. É curtido (deve pensar).

Eles acham-se os maiores, heróis, e são cruéis. Duma crueldade refinada mas cruel.

Só tenho pena ter que suportar tanto sofrimento desnecessário.

 

publicado por UNO às 08:35

TARDES DA JÚLIA A TRANS É UMA DOENÇA?
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ARTIGO 55.º (Transsexualidade e manipulação genética) 1. É proibida a cirurgia para reatribuição do sexo em pessoas morfologicamente normais, salvo nos casos clínicos adequadamente diagnosticados como transexualismo ou disforia do género. (Redacção introduzida pelo Plenário dos Conselhos Regionais de 95.06.03) 2. É proibida a manipulação genética no Ser Humano.
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