DISFORIA DO GÉNERO espaço não oficial

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Ago 08

Metamorfoses

A adolescência é uma época cruel para os transexuais. É geralmente neste momento que muitos deles começam seu processo de transformação corporal, numa tentativa de controlar o desenvolvimento do seu sexo físico. Aos 16 anos, Fernanda da Silva, 36 anos, transexual paraense, começou a tomar hormônios com a ajuda da mãe, que é enfermeira. Atualmente, já operada, completou sua metamorfose. “Graças a Deus, hoje sou curada psicológica, corporal e espiritualmente”. Mas apesar de ter alcançado o seu sonho, admite que não foi fácil. “Tinha muitas crises existenciais e muitos confrontos familiares e sociais, principalmente na escola”, relembra.
Millena Passos usou hormônios por conta própria, com a ajuda de amigos e travestis conhecidas. “Uma vai ensinando a outra”, explica. Ela nunca sofreu conseqüências graves, mas muitos casos terminam em tragédia. Call Castro, transexual baiana, 33 anos, teve problemas com silicone. “Sempre usei hormônios para aumentar as características femininas secundárias. O meu desespero foi tão grande que usei silicone líquido para aumentar os seios. Quase morri”.
O preconceito e a falta de informação estão presentes mesmo na classe médica. Edvaldo Couto, pesquisador, professor da Universidade Federal da Bahia e autor do livro “Transexualidade - o corpo em mutação”, aponta a discriminação como principal motivo para que as cirurgias não fossem feitas nos hospitais públicos. “Algumas cirurgias são simples, como correção de queixo ou nariz para adequá-los a formas mais femininas [no caso de transexuais que querem virar mulheres]. Na maioria das vezes elas não eram feitas por preconceito mesmo, para não atender uma determinada população bastante estigmatizada e por falta de informação médica”, opina Couto.
Fernanda atenta para a importância da relação entre médico e paciente. “Não adianta esta norma [que obriga o SUS a custear a cirurgia de readequação] se não há profissionais especializados e qualificados para lidar com pessoas transexuais”. Além de uma equipe especializada no tratamento dos casos, é essencial que esses profissionais saibam lidar psicologicamente com a situação.
Corpos trocados
Entendidos como homens presos em corpos de mulheres ou vice-versa, transexuais consideram seus órgãos sexuais um defeito físico passível de correção. “Existe uma não-identificação com a genitália, que às vezes se transforma em rejeição ou ódio por causa da exclusão social e pelo que o órgão representa na sociedade”, explica Bárbara. Desta forma, como homens e mulheres com órgãos sexuais trocados, considera-se mais correto o uso das expressões transexual masculino para indivíduos do sexo feminino que se sentem homens e transexual feminino para o inverso. Adota-se, igualmente, o termo “readequação”, no lugar de “mudança de sexo”, já que a cirurgia proporciona uma adequação das genitais ao sexo psicológico do paciente.
“Sempre me senti menina, sendo menina. Não dá pra, apenas a partir do pênis, definir meu sexo físico como masculino. O meu sentimento era independente de qualquer coisa. Não precisava brincar de boneca para sentir-me menina. Sentia-me menina jogando bola, empinando papagaio e andando de bicicleta”, relata Barbara.
Não existe consenso na explicação da origem da transexualidade. Médicos, estudiosos e especialistas no assunto defendem posições diferentes. Alguns acreditam num fator biológico determinante, que leva ao desajuste entre sexo físico e espiritual. Já outros defendem motivações psicológicas, explicadas por razões tais como o crescimento da criança em meio ao desejo dos pais de terem um filho do sexo oposto. Mesmo entre os transexuais, essa explicação varia muito. A maioria deles, entretanto, tem optado por considerar a transexualidade como uma doença, cuja cura seria a cirurgia de readequação social. A transexualidade é vista, nesta perspectiva, como um transtorno de identidade sexual, registrado no Código de Doenças Internacional.
Com a definição de uma doença físico-psicológica, caso de saúde pública, torna-se possível seu custeamento pelo SUS. “Eu, como cidadã contribuinte, pagadora de impostos, tenho o direito de ter minhas demandas em saúde (todas elas, e não apenas a cirurgia) devidamente atendidas pelo sistema de saúde que ajudo a bancar”, conclui Barbara Graner. Em estatísticas do Conselho Federal de Medicina, um em cada 40 mil homens é transexual. Entre mulheres, esse fenômeno é mais raro: somente uma em cada 80 mil. Segundo dados da Atras, acredita-se que os transexuais representem 10% da população de travestis, estimada em menos de 10 mil em todo o país e de 250 a 500 residentes na Bahia.
 
publicado por UNO às 14:10

TARDES DA JÚLIA A TRANS É UMA DOENÇA?
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ARTIGO 55.º (Transsexualidade e manipulação genética) 1. É proibida a cirurgia para reatribuição do sexo em pessoas morfologicamente normais, salvo nos casos clínicos adequadamente diagnosticados como transexualismo ou disforia do género. (Redacção introduzida pelo Plenário dos Conselhos Regionais de 95.06.03) 2. É proibida a manipulação genética no Ser Humano.
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