DISFORIA DO GÉNERO espaço não oficial

14
Set 08

 Adriana Gentile

Ainda, nos dias de hoje, em pleno século XXI, as questões que envolvem a sexualidade humana são repletas de tabus.
Falar de sexualidade, constrange parte significativa dos cidadãos do mundo inteiro, como se esse fosse um fenômeno estranho a eles.
É nesse sentido, que tomo o livro de Costa (1994), como base para apontar alguns aspectos desse fenômeno, no intuito de informar e reverberar o tema.
No entendimento de Costa (1994), a sexualidade refere-se ao conjunto de fenômenos da vida sexual, sendo o aspecto central da personalidade dos indivíduos, pode meio do qual se relacionam com os outros, conseguindo amar, ter prazer e procriar. É impossível dissociar o papel do gênero (masculino e feminino) da sexualidade, à qual está diretamente relacionado.
A sexualidade é o aspecto mais conflituoso e desconhecido do ser humano. Ressalta-se que a nossa cultura lida mal com esse aspecto, agravando ainda mais pelo fato de criar modelos estanques nos quais pretende encaixar e classificar as pessoas. Tais moldes, muitos dos quais estão baseados apenas no preconceito e na falta de informação, não permite que o indivíduo seja exatamente aquilo que é ou que poderia ser.
A dimensão biopsicossocial é inter-relacionada e inseparável: no aspecto biológico tem-se que o indivíduo possui um corpo físico, que sente, vê e que é visto; no olhar psicológico, se é remetido a mente, ao psiquismo, as emoções mais primárias, aos afetos, aos desejos, as fantasias, aos sonhos; o social é o mundo que rodeia o indivíduo, povoado de outros seres, inseridos na natureza ou naquilo em o ser humano transformou, as cidades.
Ao nascer o indivíduo traz dentro de si três potencialidades a serem desenvolvidas: a espontaneidade; a criatividade; o fator tele. No que se refere a espontaneidade, essa vem a ser a capacidade de responder adequadamente a uma situação nova ou dar uma resposta diferente a uma situação antiga. Ser espontâneo é estar “de corpo e alma” nas relações existentes a nossa volta. Por outro lado, a espontaneidade nos permite sermos criativos.
Quanto ao fator tele, esse vem no psiquismo da criança ao nascer, ou seja, todos os indivíduos, já nos primeiros anos de vida, é capaz de, aos poucos, ir percebendo as outras pessoas com quem se relaciona, da forma mais aproximada possível de como elas são, na mesma medida em que também sente, e se é, percebido.
Tal movimento afetivo e emocional de mão dupla é responsável pela dinâmica do funcionamento das pessoas, a dois, a três ou em grupo. No caso de tais capacidades inatas não são bem desenvolvidas, em função do ambiente onde se cresce, podem acabar se distorcendo. Quanto à identidade sexual, essa pode ser dividida em três aspectos: identidade genital, identidade de gênero; orientação afetivo-sexual.
No decorrer da gestação, todos os indivíduos passam por momentos cruciais de definição biológica, os quais são chamados por Money de “quatro encruzilhadas”, isso porque nelas o indivíduo poderá seguir o caminho feminino, masculino, ou um terceiro.
Pelo ponto de vista da biologia, o sexo pode ser: cromossômico – é o sexo identificado pelos pares xx e xy; gonadal – relacionado com um tipo especial de glândulas ou gônadas (ovários – nas mulheres, e testículos – nos homens); genital – órgãos sexuais visíveis (pênis e a bolsa escrotal – no homem, e vulva, vagina e clitóris – na mulher).
A fecundação, que ocorre quando um espermatozóide do homem penetra no óvulo da mulher, é a primeira encruzilhada pela qual passa o desenvolvimento da sexualidade humana, apesar de que, nesse momento, só exista uma célula denominada ovo, a qual, após quatro dias da fecundação, alcança a cavidade do útero, contendo mais ou menos cem células. Ao longo das primeiras semanas, ocorre o desenvolvimento dos órgãos rudimentares no embrião, já contendo “brotos” da estrutura feminina e da masculina, as quais foram descobertas pelos embriologistas alemães Caspar Wolff - estrutura masculina, e Johannes Muller – estrutura feminina. Até o final do segundo mês, o embrião, do ponto de vista sexual, é “neutro”.
A partir da sétima semana de gravidez, surge a necessidade irresistível do cromossomo y (do par (xy) de ativar a estrutura de Wolf, indicando, por meio de uma combinação química, que está na hora de serem formados os testículos, que descerão para a bolsa escrotal após o nascimento, cujo desenvolvimento, ainda no embrião, é fundamental para que todo o aparelho sexual masculino, interno e externo, seja adequadamente formado.
Quando a estrutura de Wolff é “acionada” pelo cromossomo y, a estrutura de Muller (feminina) se retrai, não se desenvolve. No entanto, ela continua existindo. Dessa forma, todos os homens carregam em si fragmentos da estrutura de Muller. Esse processo não ocorre no caso da gestação do embrião de uma futura menina, sendo que as mulheres também vão ter dentro de si “pedaços” da estrutura de Wolff.
Biologicamente falando, há uma tendência natural dos seres humanos para que fossem sempre mulher. A segunda encruzilhada é nesse momento, pois se os cromossomos não enviarem “mensagens’ corretas, poderá ocorrer uma grande complicação nos órgãos sexuais internos e, posteriormente, nos externos, como no caso de crianças que nascem com a genitália dúbia ou malformada.
No terceiro mês de gravidez o embrião terá que enfrentar a terceira encruzilhada. Embora o desenvolvimento do embrião ocorra aparentemente com tranqüilidade, todas as partes de seu organismo continuam em intensa atividade, sendo que a decisão sobre o caminho a ser seguido fica por conta de uma complexa combinação de substâncias químicas, os hormônios sexuais, os quais são produzidos pelos testículos ou pelos ovários. Tais hormônios são responsáveis pelo desenvolvimento dos demais órgãos genitais internos e externos.
No quarto mês de gravidez ocorre a “moldagem” dos órgãos sexuais externos, cujo “material” que irá formar o órgão sexual feminino e masculino é exatamente o mesmo, e é ai que se encontra a quarta encruzilhada. O feto apresenta, na região localizada entre as pernas, uma estrutura chamada de tubérculo genital, duas faixas de pele e uma pequena protuberância de cada lado. Se a gestação for de uma menina, o tubérculo genital continua pequeno e se transforma no clitóris. As duas pregas de pele não se fundem e formam os pequenos lábios e a cobertura do clitóris, e as duas protuberâncias ficam separadas e formam os grandes lábios. No caso de ser um menino, o tubérculo genital cresce dando origem ao pênis, as duas pregas de pele se fundem para formar a uretra e as duas protuberâncias se fecham, constituindo a bolsa escrotal.
Nesse processo todo podem ocorrer falhas, como no caso do hermafrodita, um intersexo. Nesse caso ocorreu uma complicação logo na primeira encruzilhada, ou seja, houve uma complicação na combinação cromossômica; ele não tem o par xy ou xx, mas uma mistura desses, em uma variação que pode ser muito grande. Tendo surgido no ato da fecundação, pode levar o intersexo, na segunda encruzilhada, a desenvolver um testículo e um ovário ao mesmo tempo, ou um único órgão denominado de ovotésteis, onde os testículos e o ovário estão mesclados. Tanto essa como outras anomalias são raras e atingem apenas uma pequena parcela dos recém-nascidos.
É necessário fazer distinção entre o sexo genital (com o qual nascemos) e o sexo registrado em cartório, uma vez que crianças que nascem com algum problema relacionado à formação dos órgãos sexuais, podem ser registradas com o sexo trocado.
A sensação interna de se pertencer ao gênero masculino ou feminino, assim como a capacidade do indivíduo se relacionar socialmente, denominado “identidade de gênero” é, para a maioria das pessoas, muito natural, mas há casos de inadequação da identidade de gênero ao corpo biológico de nascimentos, sendo um exemplo extremo os transexuais, para os quais o corpo é de um sexo e a alma de outro.
É no ato da fecundação que a sexualidade começa a ser definida, sendo que até o momento do nascimento, o indivíduo passa por transformações fisiológicas e bioquímicas, que “reforçam” a estrutura masculina ou feminina. No decorrer desse período, se a produção de hormônios sexuais ocorreu no momento certo e com a estrutura química correta, uma região do cérebro denominada hipotálamo, cujas células são muitos sensíveis ao androgênio ou a estrogênio (hormônios sexuais masculinos e femininos), recebeu um “banho” de masculinização ou de feminilização.
Embora para alguns pesquisadores a “força biológica” faz com que o indivíduo nasça com “uma intuição” de que pertence ao gênero masculino ou feminino, os estudos a respeito da influência hormonal durante a vida intra-uterina, assim como o papel do hipotálamo e do neocórtex, são recentes e não estão concluídos. Ressalta-se que o desenvolvimento completo de tal consciência na criança só irá ocorrer a partir de inúmeros outros fatores, tais como o tratamento recebido da mãe (ou de quem estiver em seu lugar), da família e da sociedade na qual vive.
Na maioria dos casos, não há dúvida, no nascimento, se é um menino ou uma menina, pela simples observação da genitália externa. Mas, em alguns casos, o bebê nasce com o sexo malformado, duvidoso. Dessa forma, uma menina normal que nasça com um clitóris um pouco maior, parecendo “pintinho”, corre o risco de ser considerada uma menino.
A partir do momento em que a criança é registrada e identificada como sendo menino ou menina, toda a sociedade vai se comportar em relação a ela de uma maneira particular e diferente. Os próprios pais passam a tratar de forma específica. Logo, se for uma menina, ela será tratada de uma forma mais cuidadosa, mais terna. Se for um menino, será tratado com mais firmeza. Sem se darem conta, os pais estão tentando dizer que homens e mulheres devem ser e se comportar de forma diferente.
Por volta dos 2 anos e meio, a criança “já sabe” que é um menino ou uma menina, não perdendo tempo com o assunto porque o mundo lhe oferece caminhos muitos claros quanto ao ser homem ou mulher, só não há ainda amadurecimento neurológico e psicológico para entender e distinguir tal sensação.
Nos primeiros meses de vida, o indivíduo desenvolve a consciência sobre o seu próprio corpo e vai criando uma “identidade corporal”, principalmente sobre o órgão genital, ocorrendo a primeira noção de se possuir a genitália no ato de urinar.
No caso dos meninos, a genitália é tocada e manuseada sem grandes problemas por ele. Ela é visível e a nossa cultura valoriza a sua exibição. Por outro lado, a genitália da mulher, em nossa cultura é, mesmo quando criança, algo proibido, misterioso, intocável.
Cada parte do corpo do indivíduo tem uma sensibilidade diferente e, para que a criança conheça o seu corpo, é preciso tocá-lo, o que lhe poderá dar prazer. Na infância, as sensações prazerosas vindas do toque nos genitais não devem ser confundidas com sensações eróticas.
Reconhecer e sentir a sua anatomia sexual tem grande importância para que o indivíduo desenvolva a consciência de pertencer ao gênero masculino ou feminino. Embora se nasça com uma genitália masculina ou feminina, não se sabe “ser” homem ou mulher. Isso precisa ser aprendido a partir de si mesmo, com os pais, com a família e com a sociedade. É um processo longo e a identidade de gênero só irá se evidenciar por completo com o surgimento dos caracteres sexuais secundários, na fase da adolescência.
A consciência que se tem de pertencer ao gênero masculino ou feminino vem do comportamento dos pais, dos familiares e da sociedade, assim como da percepção do seu próprio corpo. Do ponto de vista social, é impossível que alguém cresça sem pertencer ao gênero masculino ou feminino. Não existem pessoas “neutras” socialmente falando.
Os travestis são pessoas com identidade de gênero diferente da maioria, uma vez que se sentem ora homens, ora mulheres. Os transexuais, por sua vez, têm uma identidade de gênero bem definida, embora em desacordo com o seu corpo biológico.
Não se conhece totalmente como se dá o desenvolvimento da identidade de gênero e as causas de suas alterações. Um menino pode ser criado adequadamente pela família e crescer com um sentimento de que é uma mulher (transexual). Há casos de meninos que foram criados como meninas e na adolescência afirmaram-se homens. Mesmo quando a formação familiar não é a convencional, como no caso de casais homossexuais, o desenvolvimento da identidade de gênero ocorre adequadamente.
Quando se fala em identidade de gênero, refere-se às sensações internas, que estão dentro de cada indivíduo, as quais podem vir para fora ou não. O papel de gênero trata-se do comportamento do indivíduo frente às demais pessoas e à sociedade como um todo. Dessa forma, temos “uma maneira de ser” masculina ou feminina, precisando haver uma perfeita sintonia entre o que sentimos e a nossa maneira de agir, caso contrário, surgirá um conflito entre a nossa identidade de gênero e o papel que desempenhamos.
Os primeiros papéis têm sua origem na família, sendo que a base psicológica para o desempenho de todos os papéis é o meio em que se nasce, se é criado e se desenvolve. Nos primeiros anos de vida, o bebê tem apenas esboços de papéis, os quais estão relacionados com as suas necessidades fisiológicas e, para atender tais necessidades, existe a mãe (ou a substituta) que lhes dá amor e carinho, ajudando-o a desenvolver-se.
Há um tratamento “diferente” para meninos e meninas, que se encontra nos gestos, na maneira de pegar a criança no colo, de dar o seio ou a mamadeira etc. A higiene dos genitais do bebê tem muita importância para o desenvolvimento da identidade genital, da identidade de gênero e para a formação do papel de gênero. Toda vez que a mãe faz a higiene, ela está lhe dando a consciência da genitália que possui.
Pouco a pouco a criança aprende a falar, os seus movimentos tornam-se coordenados e ela reage diante de situações novas. Na medida em que percebe o que se passa entre as outras pessoas e a diferenciar a realidade da fantasia, começa a se desenvolver o que é denominado de “papéis sociais de gênero”. A criança aprende como deve se relacionar com seu corpo e também que atitude deverá tomar em cada papel que estiver desempenhando. Com esses papéis entra em operação a função de realidade e, a partir do momento que sabe o que é realidade, conquista os chamados papéis de fantasia, que correspondem a dimensão mais individual da vida psíquica ou psicológica do ser humano. É o momento em que a criança “viaja” com seus brinquedos, finge ser herói da TV, com a conscientização de que tudo isso é fantasia, é de brincadeira.
Todos os papéis são complementares. Um não existe sem o outro. E o modo de ser, a identidade de um indivíduo é decorrência dos papéis que ele vai desenvolvendo ao longo de sua existência e de suas experiências.
Existe entre as pessoas a relação co-inconsciente, que ocorre quando alguma coisa passa de mim para o outro sem que eu mesmo saiba. Essa relação pode ser grupal, como na comunicação entre as pessoas que estão juntas, convivendo em família.
O início do desempenho do papel de gênero (ou comportamento social) ocorre no momento em que o indivíduo se percebe enquanto menino ou menina, e seu desenvolvimento precisa ser o mais livre possível. Ele servirá de eixo para o desenvolvimento de todos os outros papéis de gênero, inclusive o do papel afetivo-sexual.
Há alguns aspectos, a maioria de ordem cultural, que podem definir o papel de gênero masculino e o feminino: diferenças entre as genitálias externas; diferenças entre os caracteres sexuais secundários que surgem na adolescência; a saúde do corpo; a aparência física, dentre outros.
Na medida em que ocorre o desenvolvimento da sociedade, a transmissão desses papéis vai se tornando mais elástica e menos rígida.
No mundo, a maior parte das relações entre as pessoas é de gênero e pouco envolve a sexualidade propriamente dita; levando-se em consideração a grande quantidade de papéis que são assumidos, o lado sexual só vai se manifestar com uma pessoa que amamos e desejamos. Apesar disso, a nossa cultura tende a erotizar muitas dessas relações.
Não é possível definir orientação afetivo-sexual como a sensação interna de que se tem a capacidade para se relacionar amorosa ou sexualmente com alguém. Ela faz parte da identidade sexual, algo que pertence ao mundo interno do indivíduo, ou ao psicológico.
Mundialmente o termo “orientação sexual” é usado para designar se o relacionamento afetivo-sexual vai ocorrer com alguém do sexo oposto, do mesmo sexo, ou com pessoas de ambos os sexos. Essa orientação está vinculada aos sentimentos que existem dentro de todos nós em relação a outra pessoa, sendo que entre esses sentimentos, estão o desejo e o prazer sexual, as sensações do orgasmo, as fantasias sexuais, os sonhos eróticos, o amor e a paixão. Aqui se está falando da capacidade de escolher a pessoa que se vai amar ou com quem se terá um relacionamento sexual.
As pesquisas científicas atuais consideram que a orientação afetivo-sexual é construída, psicologicamente na primeira infância, até os 4 ou 5 anos de idade. Apesar disso, é somente na adolescência que o indivíduo passa a ter consciência de tais sentimentos, que se confirmam ou não na idade adulta. Tal consciência nos revela como heterossexual, homossexual ou bissexual, o que pode ou não ser confirmado mais tarde.
Na adolescência eclodem os hormônios sexuais disparados pelo relógio biológico, que faz surgir os caracteres sexuais secundários.
A orientação afetivo-sexual pode ser básica ou circunstancial. Uma pessoa pode ser basicamente heterossexual ou homossexual, mas só na idade adulta terá essa certeza. Mesmo na idade adulta, essa orientação pode ser temporária, dependendo das circunstâncias da vida. Todo indivíduo pode “ser” heterossexual ou “estar” heterossexual, “ser” homossexual ou “estar ”homossexual”.
Em meados do século IXX, a medicina dividiu as pessoas me heterossexuais e homossexuais. Foi a partir de 1869 que a homossexualidade, como comportamento, ganhou o nome de “orientação sexual, entrando para a medicina como algo patológico ou doentio. Apesar disso, os sentimentos e os comportamentos heterossexuais e homossexuais são tão velhos quanto o mundo. As pesquisas sempre se dirigiam para a busca das “causas” da orientação afetivo-sexual homossexual, uma vez que a grande maioria das pessoas tem uma orientação heterossexual. Parece que a ciência se esqueceu de perguntar quais são os mecanismos que levam uma pessoa a ser heterossexual.
A teoria desenvolvida por Freud procura explicar a orientação sexual a partir do relacionamento da criança com os pais, nos primeiros anos de vida. Nesse estágio a criança experimentaria sentimentos inconscientes de “desejo sexual” em relação a um dos pais, juntamente com sentimentos de “rivalidade”, também inconsciente para com o outro, e vice-versa.
Conforme Fonseca, após manter uma relação apenas e exclusivamente com a mãe ou só com o pai, a criança se dá conta de que os dois, pai e mãe, têm um relacionamento entre si. Fazendo uma releitura da Matriz de Identidade ou núcleo familiar proposta por Moreno, Fonseca aponta que a criança, nesse momento, entra na chamada “crise de triangulação”, podendo se sentir rejeitada ou não, dependendo de como se dá a intercomunicação entre os três. A resolução de tal crise poder ser a aceitação de que ela não é o centro do mundo, que as outras pessoas têm relacionamentos entre si, independentemente dela, o que não significa que ela receberá menos afeto por isso. Uma vez superada a crise, a criança estará pronta para relacionar-se com as demais pessoas, entrando na fase da socialização.
Nessa fase a criança tem como primeiro modelo o relacionamento entre um casal, geralmente heterossexual, e tal modelo poderá servir como ponto de partida para seus relacionamentos afetivos e sexuais no futuro.
O primeiro passo para a construção da orientação afetivo-sexual, do ponto de vista psicológico, é a definição da identidade de gênero, ou seja, antes de sabermos para que dirigiremos nossos afetos e nossas emoções de cunho sexual, precisamos saber se somos uma pessoa do gênero masculino ou do gênero feminino. Esse é o primeiro passo, embora não o determinante. O segundo passo é a resolução da crise da fase triangular.
As teorias psicológicas não explicam para a ciência o modo como tudo isso acontece, assim como os cientistas especializados em biologia e genética que tentaram indicar uma predisposição genética para a homossexualidade, não conseguiram uma teoria conclusiva para explicar como se determina a orientação afetivo-sexual.
Uma pessoa, qualquer que seja a sua orientação afetivo-sexual, só será feliz se estiver em sintonia e em paz consigo mesma.
O amor, o afeto e o sexo são necessidades básicas para nós, e de todas as relações humanas, estas são consideradas as menos resolvidas. O papel afetivo-sexual é o mais importante de nossa vida, sendo por meio dele que conseguimos estabelecer um vínculo que pode ser de amor e sexo, de amor sem sexo ou ainda de sexo sem amor.
Alguns dos mais dolorosos conflitos humanos estão direta ou indiretamente relacionados com a impossibilidade ou dificuldade de se desempenhar adequadamente o papel afetivo-sexual, parte essa da vida humana que é a única que o indivíduo precisa desenvolver por sua própria conta.
Esse papel começa a aparecer na adolescência, com a explosão dos hormônios e com a transformação do corpo, sendo que o desenvolvimento desse papel será diferente para rapazes e moças. É nessa fase também que surgem os caracteres sexuais secundários, que vão moldando o corpo do menino e da menina, transformando-os num homem ou numa mulher.
Nessa fase ocorre a descoberta do seu corpo e o que ele desperta no outro. Descobrem o funcionamento de seus genitais, ocorrendo a masturbação com menos ou maior freqüência. Na nossa cultura há a estimulação para que o rapaz desempenhe o seu papel sexual muito precocemente, mas o mesmo não acontece com o papel afetivo. Por outro lado, as moças aprendem muito cedo que não devem tocar seus genitais; ela aprende a vincular amor e sexo.
Na medida que a adolescência termina, o adulto, agora dono de si, pode desempenhar completamente o seu papel afetivo-sexual, relacionando-se com alguém, do sexo oposto, do mesmo sexo, ou de ambos os sexos. É a fase da criatividade do papel afetivo-sexual. É nessa fase também que vai ter certeza sobre a sua orientação afetivo-sexual básica na vida.
Na infância, os fatores biológicos, psicológicos e sociais, elementos básicos que vão forma a sexualidade, se desenvolvem simultaneamente e de forma interligada. Conforme a criança vai tendo a sua identidade corporal, e conseqüentemente a sua identidade genital, ela passa por momentos de intensa vivência com as pessoas que a educam. A identidade de gênero e o papel de gênero vão e desenvolvendo ao mesmo tempo.
Em nossa cultura, muitos papéis de gênero estão distorcidos e “sexualizados”. A maior parte das relações humanas se baseia, ou deveria se basear, em papéis de gênero, que nada têm que ver com sexualidade propriamente dita. Na medida em que se puder perceber as diferenças existentes entre os papéis de gênero (comportamento social) e o afetivo-sexual (comportamento amoroso e sexual), certamente se estará facilitando a sua vida e a dos outros.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

publicado por UNO às 19:07

TARDES DA JÚLIA A TRANS É UMA DOENÇA?
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